terça-feira, 1 de março de 2011

XXII

Que me parem de perguntar a vida.
Porque a vida não é mais do que a fome.
Não é mais do que a gana.
Não é mais.

Para mim.

Que há tempos escondo no canto da cama,
No branco dos tetos e
No resto.
Menos nos escombros
da minha transparência.

Que me parem de perguntar a vida.
E o que eu não sei.
Porque não tenho mais perguntas
às perguntas.

Que há tempos eu só vejo
A única
Eterna
Perda

De qualquer um.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Igreja Aurea

Naquela aurora áurea
estava perdido o perito das almas
que buscava a aureola perdida
do santo que ali não mais estava.

O roubo na Igreja aurífera,
que brilhava mais que Jesus,
naquela cruz q tanto ouro tinha
" Mas cristo era pobre”
o perito pensava observando a abóbada da igreja aurificada.

O solo era terra,
o teto era ouro,
a alma era pedra
e o santo levava o tesouro

E tantas almas foram levadas
que o ouro daqui tirado
não era o tesouro a ser prezado.
E o perito compreendeu
que pobre não foi Jesus
nem o santo oco
- que de oco não tinha nada -
Pobres foram aqueles que salvaram o ouro
mas que não salvaram a alma. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(IN)EXISTIR

Enquanto o céu ainda se chamar céu
mesmo não sendo o céu da sua existência.
Enquanto a água que corre naquele rio
banhar meu corpo e fazer parte da minha essência.
meu nome será MUDANÇA na ANDANÇA MUDA
que rege a minha consciência.

Se aquele céu escuro ficar
se aquele rio não mais me banhar
ali ainda estarei acompanhada
da consciência de existir
mesmo quando há a sensação da falta do ar
da falta d' água para me banhar
e do céu para contemplar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"O inferno são os outros" - Eu sou outro também

As pessoas são as eternas suposições sobre mulheres:
complicadas e insatisfeitas.

E eu fui, aqui, o suposto conceito de homem:
direto e prático.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Covas

Já percebi que grande parte das covas é abominável e medonha. Parecem mais obscuras e assustadoras quando com elas se sonha, delas saltam corpos podres e brotam plantas constritoras.
Há algumas voltas no relógio, notei uma menina silenciosa, possuía duas covas. Covas das quais brotavam uns dos mais delicados sorrisos.

(Para B.R.C.)

O Frio no Quente

O sol brilhou com mais força.
O arvoredo esteve mais verde.
Os humanos tinham mais sorrisos,
Menos protestos.
Os animais e o dia caloroso com um convite ao frenesi fervente.

E o tempo me veio novamente. Era de novo o tempo renovante.
O período primaveril... posso observá-lo nitidamente.
Observá-lo, somente,
O vai e vem de seus pares inúmeros de gente;
passam direto por mim, parelhas frente a frente.
Falta-me uma frente.

Eu: o frio no quente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Vida e Bruna

Ávida e Bruta.
A Vida e Bruna.

Bruta de tanto "sei lá".
Ávida por tanto "sei lá".

Sei se lá, Bruna...
...sei se há lá o encontrar-se?

Ávida e Bruta.
A Vida e Bruna.

Bruna, a Bruta,
Foge de tanto "não sei".

Ávida, a Vida,
Persegue por tanto "não sei".

Não sei, Bruna. Mas só espero uma fuga:
a da Bruta.
Assim: Avidez à Vida de Bruna, a futura Ex-Bruta.

Eu sei, Bruna, que se deve ter calma,
quer longe, quer mais distante ainda de mim.

Eu sei, Bruna, e peço desculpas.
Querer-se longe ou mais distante ainda de outros ou de mim
não faz sua Ávida Vida daquele (descrito acima) "Assim".
Eu sei, Bruna, que não tive grandes culpas.

Eu sei, Bruna, que o seu ficar não fica nem por si só.
Sei.

Espero a única fuga, para que fique por si e não só,
quer longe, quer mais distante ainda de alguns e de mim.
Sem Brutalidade fugindo da Avidez,
Somente com Brunalidade na Vida.

(Para B.R.C.)