Inconstância:
Invencão mecânica
Jovem desejando o presente
Recria em sonhos o que sua fala
Esconde. Repara
Cacos, laços, sorrisos e gestos
Em engrenagens há muito enferrujadas.
Corre sangue, verte vida entre
Os dedos que me tocam
Sem saber, não sabe! Ou sabe? Sei?
Onde o pecado gira e me falta pé
Esqueço de quem sou para ser expressão
Meramente, sabiamente calada do som
Das minhas palavras não ditas
Em outro tempo que não agora
Em algum lugar que não aqui
Eu te vejo sem te olhar
E te toco dentro de mim
Engrenagem maquinada por sentir
Amor...Pensar...Pensar.
Viver. TIC TAC.
Acorda!
(Lean Valente - 07/02/2008, 4h28)
Inconstância:
Velho desejando o futuro; faz o que quer... e o que significa presente?
E o que significa passado?
Recrio em sonhos o que minha fala esconde. Fato, reparo.
Recrio sua criação na minha letra
E desaprendo.
Porque você não mais quis me ensinar
do mesmo jeito, no mesmo gesto, no mesmo caco ou inteiro, no mesmo laço.
E me via sem me olhar...
O presente passa a olhá-lo sem jamais vê-lo;
Você desaprendendo-se,
Desvivendo? "Sabe?"
Dizendo que ama...
E qual o conceito de amor?
E qual a data de validade?
E as precauções de uso?
E o que significa passado?
Passar por cima?
TIC TAC.
Você dormiu, enferrujou, mecanizou-se, reinventou-se muito além de mim.
Eu acordei.
E desconheço.
(R.A.L. - 02/04/2011, 22h44)